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A chave do sucesso: qualidade nos processos!

Todos os setores da pecuária leiteira requerem cuidados pontuais. Em destaque, discutiremos o bezerreiro. Os cuidados com as fases de cria e recria das bezerras são essenciais para o crescimento e evolução genética do rebanho. Baseado nesse contexto, discutiremos e também relataremos experiências vividas na criação de bezerras, especificamente em uma fazenda assistida pela empresa.


Existem vários sistemas de criação de bezerras, desde os mais simples com animais ao pé das vacas, aos mais sofisticados, tais como os bezerreiros automáticos. Conheço bezerras bem criadas em todos sistemas, portanto, o resultado é consequência direta do comprometimento e dedicação das pessoas envolvidas na setor.

Particularmente, gosto muito do sistema de criação de bezerras tipo Tropical ou Argentino como comumente é chamado, por ter baixo custo de implantação e ser adaptável em boa parte do país. O manejo permite maior aproximação do tratador com a bezerra, o trato é feito de forma individual. O contato constante possibilita monitorar a alimentação, se está abatida, se tem febre, presença de carrapatos, moscas, entre outros. Nesse sistema é possível fazer uma rotina, e quando bem planejado o rodízio de entrada e saída dos animais, se faz o “vazio sanitário”, ou seja, ao desmamar uma bezerra aquele espaço é desinfetado, com um período de descanso antes de receber uma nova bezerra recém-nascida.

Relato aqui uma experiência da Fazenda Equador, no município de Quixadá-CE, onde começamos a  assistência em Agosto de 2016. Nessa propriedade, já havia um bezerreiro Argentino, porém, totalmente fora dos padrões (espaço de movimentação da bezerra de 4 m comprimento, sendo que o sombrite cobria 3 metros desse espaço, com 1,70 m de altura), ou seja, o espaço era muito sombreado, ficando um ambiente úmido e propício à proliferação de bactérias e lesões nos cascos. Fazendo uma análise, de Janeiro até agosto de 2016 (quando iniciamos nossa assistência), a fazenda registrava um número assustador de 30,29% na taxa de mortalidade de bezerras de 0 a 3 meses.

Descrevo o modelo vigente naquele momento:  Os machos eram criados junto as fêmeas, como não havia espaço suficiente, muitas vezes desmamavam uma bezerra ou bezerro antecipadamente, para alojar um novo animal recém-nascido, as bezerras perdiam desenvolvimento e as mais novas logo apresentavam diarreia. O umbigo era cortado e curado com Iodo 10%.  O aleitamento era feito com leite em pó (sucedâneo) na quantia de 6 litros/dia com diluição de 1kg do produto para 8 litros de água. Por falta de treinamento do colaborador responsável, a diluição não seguia um padrão constante, associado ainda à má qualidade da água, devido às condições da região. O trato era composto por ração, e a água era fornecida somente duas vezes ao dia em um balde. A maior causa de mortes era decorrente de diarreias, provando que o manejo seguido estava inviável.


O primeiro passo foi construir um novo Bezerreiro, seguindo os padrões do sistema Argentino ou Tropical, citados nos Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 81 - junho de 2016 com bebedouros automáticos de água e cochos para fornecimento da ração, cada um em extremidades opostas da área disponível para locomoção das bezerras.

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Foto 1: Nova instalação do bezerreiro (seguindo padrão Modelo Tropical).
Fonte: Cifra Leite Consultoria (2016).



De acordo com o nascimento das bezerras, o novo bezerreiro instalado começou a ser ocupado. Seguindo a mudança proposta, todo o processo no manejo foi reestruturado. Assim, logo que o animal nascia respeitando um prazo máximo 6 a 10 horas como indicado pela pesquisadora Profª Dra. Sandra Gesteira (UFMG), as bezerras já recebem o colostro, sendo este mensurado sua qualidade através do colostrômetro, e caso não seja de qualidade aceitável (recorremos ao nosso banco de colostro para alimentar a bezerra, fornecendo de 5 a 8% do peso ao nascimento).


A cura do umbigo passou a ser feito por três dias seguidos após o nascimento e sem cortá-lo, levando em conta que quando cortamos o cordão umbilical estamos deixando ali uma possível porta de entrada para bactérias, uma vez que o mesmo seca e cai depois que está totalmente cicatrizado.

Deixamos de usar o leite em pó, passamos a fornecer leite produzido na fazenda, separando o melhor leite para alimentação das bezerras. Até aos 60 dias de idade elas recebem 6L/dia (3L manhã e 3L tarde), dos 61 aos 80 dias (4L/dia- 2L manhã e 2L tarde) e dos 81 aos 90 apenas 2 litros de manhã. A ração é fornecida a partir do terceiro dia de vida, sendo aumentada gradativamente de acordo com o consumo da bezerra, de forma que aos 90 dias de idade ela está consumindo no mínimo 1,5kg de ração/dia. Ainda é fornecida silagem de sorgo a partir dos 30 dias de vida, de forma gradativa sem interferir no fornecimento de concentrado, geralmente no desmame elas já estão consumindo de 3 a 4 kg de silagem. Os machos são vendidos ao nascimento, foco total nas fêmeas.

 Foi feito um treinamento do colaborador responsável pelo setor, motivando-o e demonstrando a importância dele, assim como os demais colaboradores da fazenda. Fazendo uma exemplificação de que a atividade leiteira funciona como uma “corrente”, se um elo se quebrar, o sistema inteiro entra em déficit, não completando o ciclo. Atualmente (janeiro de 2017) a taxa de mortalidade encontra-se em 1,51%, e com ganho de peso 0,700 kg/dia. A desmama é baseada no peso da bezerra X consumo de ração, são retiradas do bezerreiro em grupos de 8 a 10 indivíduos, apresentando até 15 dias de diferença entre a mais velha e a mais nova do grupo. Depois de desmamadas elas ficam em piquetes recebendo 2 kg de ração de recria e 4 kg de silagem. Os piquetes são todos equipados com sistema de irrigação, mas devido à seca severa que atinge a região não temos água suficiente para o capim no momento, por isso o suporte com silagem. No sistema anterior, as novilhas eram inseminadas em média aos 22 meses. No modelo proposto estamos almejando insemina-las aos 14 meses de idade.

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Foto 2: Bezerras já em piquetes na fase de recria, 100 dias.
Fonte: Cifra Leite Consultoria (2016).


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Foto 3: Bezerras durante alimentação, fase de recria, 150 dias.
Fonte: Cifra Leite Consultoria (2016).


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Foto 4: Bezerras durante alimentação, fase de recria, 180 dias. Fonte: Cifra Leite Consultoria (2016).


Hoje a Fazenda Equador produz em média 5100 litros de leite por dia com 230 vacas em lactação (média de 22 litros/vaca). A equipe está envolvida com a atividade, cada colaborador tem suas funções e seu dia de folga semanal. Adotamos três planos salariais, Colaborador aprendiz, intermediário e chefe de setor.  A assistência da cifra leite vai além do conhecimento técnico, acreditamos que a gerencia determina o desenvolvimento das pessoas. Contamos com a presença de um zootecnista em tempo integral na fazenda, dando suporte e gestão nos processos a serem executados diariamente.

Os proprietários, Marcelo Baquit e Paulo Baquit, embora não tenham a produção de leite como atividade principal, são determinados e abertos ao que precisa ser feito na propriedade. É incrível o desenvolvimento da fazenda, mesmo diante de várias dificuldades relacionadas à região. A persistência e a raça com que o Nordestino vence o dia, nos torna cada dia mais motivados, consolidando um conceito dentro de nossa empresa “Devemos fazer o melhor possível diante das condições que temos, para um dia quando as condições melhorarem, podermos fazer melhor ainda”. Estamos aprendendo mais que ensinando!

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Foto 5: Sala de Ordenha Fazenda Equador.
Fonte: Cifra Leite Consultoria (2016).

 



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Fernando Henrique Canedo Franco

Médico Veterinário Cifra Leite Consultoria