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A grande oportunidade da contratação

A grande oportunidade da contratação

A influência das pessoas para o sucesso ou o fracasso de qualquer atividade não é nenhuma grande novidade. Jargões populares presentes em nosso dia a dia fortalecem ainda mais essa teoria. Abaixo, exemplo de alguns desses ditos populares especificamente da atividade de produção de leite, os quais muito tenho ouvido.

"Peão dá duas alegrias: o dia que entra (contratação) e o dia que sai (demissão)”

“O problema da minha fazenda é gente!”

“Já não existem mais peões como antigamente”

“Lá na fazenda do Fulano, só dá certo porque o Siclano está lá”

“Não tem jeito de mexer com leite porque não tem gente”

“Se existisse outra pessoa como o Beltrano eu comprava mais 100 vacas paridas”

“Só não tiro mais leite porque precisaria de mais pessoas na fazenda e o Fulano não dá certo com ninguém”

“Pessoas solteiras não permanecem nas fazendas por muito tempo”

“Não tem jeito de produzir leite porque ninguém quer morar na fazenda”

Pense agora sobre este assunto, não se restringindo a um curto espaço de tempo (ou seja, reflita como tem sido sua satisfação com a influência das pessoas no seu negócio nas últimas semanas, meses ou até anos). Caso você, assim como eu, muito tenha ouvido, talvez em algumas situações até repetido frases que se identificam com as citadas acima, e realmente acredite que haja alguma parte de fundamento nelas, mas tem tido dificuldade de obter resultados positivos neste sentido, faço a você agora um convite: DEDIQUE-SE COMIGO A ESTA PEQUENA LEITURA. Já você, satisfeito com a boa influência das pessoas envolvidas em seu negócio e utilizador de ferramentas seguras que permitam a continuidade desse processo: leia este pequeno artigo, adquira, através de minhas palavras, um reforço para sua estratégia, vá além, fazendo com que esta leitura chegue a alguém com menos êxito neste segmento.

Administrar, gerir pessoas, formar equipes de alto desempenho, mantê-las neste máximo desempenho, é um grande tema, centenas de livros são publicados, vídeos, congressos, cursos, MBA, redes sociais, empresas se especializam em “gestão de pessoas” e vendem “gestão de pessoas” não parando de crescer. Este assunto é, sem dúvida, INFINITO. Infinito, para quem quer ganhar mais dinheiro, mais posicionamento de mercado, mais clientes, mais admiração, mais seguidores, dentre outras metas. Peço que entenda este artigo como um convite a possibilidades. A intenção é mostrar que existe, neste tema, um mundo de oportunidades e que você acredite e tenha vontade de vivê-lo.


Não tenho dúvidas de que a CONTRATAÇÃO é um excelente ponto de partida!

Estou ciente da grande parcela de pessoas já contratadas, que seguem trabalhando, mas com grandes necessidades de mudanças para melhoria dos processos. Para isto, também existem várias ferramentas, que não serão aqui discutidas. O fato é que, o ATO DA CONTRATAÇÃO, pode ajudar imensamente ou prejudicar muito o desenvolvimento de pessoas ao longo do tempo, inclusive quando mudanças são necessárias.

Neste artigo, vou demonstrar, de forma breve, o quanto uma contratação pode ser eficiente, permitindo melhor desenvoltura do funcionário ao longo do tempo, mas principalmente, evitando contrariedades futuras de ambas as partes. Durante a entrevista de emprego (conhecida por, ¨a combina¨, pelas pessoas do meio rural), as partes possuem a melhor das intenções, ou seja, o contratante (produtor, gerente, empresa, etc...) está a procura de um bom colaborador, e o entrevistado (candidato a vaga, sua esposa, suas crianças, etc...) estão a procura de um bom emprego. Neste momento ainda não foi firmado nenhum compromisso, a transparência nesta hora é muito “sadia”, pois o entrevistado é quem decide se aceita as condições de trabalho propostas, bem como, o contratante pode expor tudo o que é necessário para o preenchimento do cargo, para que depois, possa cobrar, pois aquilo já estava combinado.

Presenciei contratações, onde não havia escolha, por exemplo, um produtor de leite sem quem executasse ordenha de amanhã pela madrugada, vulnerável ao ponto de não explicar claramente as normas da fazenda, com receio da não contratação, e de suas vacas não serem ordenhadas no outro dia. Dificilmente esta contratação será duradoura, e com certeza absoluta terá problemas, à medida que as regras da propriedade (não discutidas na contratação) surgirem no dia a dia. Em situações extremas, como a exemplada, tudo se torna mais difícil, e estou certo de que todos  procuramos evitá-las.

No trabalho de consultoria em propriedades produtoras de leite, percebemos o quanto as regras das fazendas (empresas rurais) não são claras e o quanto isso “desgasta” o ambiente de trabalho. Perde-se tempo, dinheiro, bons colaboradores, simplesmente pelo fato de não sermos claros ao explicar a forma de funcionamento das propriedades. Há perdas também, quando as formas de funcionamento são bem explicadas mas não são acompanhadas, as mesmas só existem em “papéis” ou verbalmente, sem credibilidade nenhuma, mas este não é o tema deste artigo.

A proposta aqui é citar normas simples de funcionamento de Fazendas Produtoras de leite, que quando não bem discutidas, principalmente na contratação, dificultam e desgastam muito a relação de trabalho ao longo do tempo. Tenho certeza que você, envolvido de alguma forma neste ramo de produção, se identificará com situações de êxito ou fracasso pela exposição ou não, de algumas das normas citadas abaixo.

Não existe o certo ou o errado nas citações abaixo, existe é a norma do seu negócio, definida por você junto a sua consultoria e que deve ser dita com clareza na contratação. Conheço fazendas produzindo leite, ganhando dinheiro, com colaboradores e líderes satisfeitos, usando das mais variadas normas internas possíveis, o DIFERENCIAL é o combinado, uma vez que foi combinado, vem acontecendo, gerando credibilidade entre as partes junto a um saudável ambiente de trabalho.

Seguem abaixo, 3 exemplos de “pré combinados”, bem detalhados, importantes para evitar transtornos.


HORÁRIO DE ÍNICIO DA ORDENHA

Inúmeras vezes presenciei conflitos internos em fazendas produtoras de leite, simplesmente por este tema não ter sido bem discutido durante a contratação, ou ainda, por ter sido bem discutido, porém não haviam condições para que o combinado ocorresse. Então, antes de contratar, responda você a essas perguntas:

- qual o melhor horário? (para os animais, para as pessoas, para ambos)

- quando a alteração de horário de verão ocorrer algo muda?

- em feriados, carnaval, exposições agropecuárias, copa do mundo, algo muda?

- se chover algo muda?

- se faltar energia, ou qualquer eventualidade que atrase o inicio ou o término de uma das ordenhas, a ordenha seguinte muda de horário?

Lembre-se que no momento da contratação a transparência é muito importante, não é necessário possuir a melhor ordenha da região, ou o ,melhor trator, ou as melhores casas (sem dúvidas ferramentas facilitadoras são atrativas, mas conheço fazendas com simples estruturas funcionando perfeitamente com pessoas satisfeitas, bem como propriedades com tecnologia de ponta não mantendo seus funcionários nem durante o período de experiência). Se for bem explicado e combinado, estruturas, ferramentas, máquinas menos facilitadoras não tem sido grande motivo de desajustes de colaboradores nas fazendas. Use a seu favor, o que você possui de melhor em sua propriedade, evidencie isso durante a entrevista. Talvez, o que tenha de melhor em sua propriedade ,seja você mesmo, conheço uma fazenda onde não houve possibilidade de aquisição de um gerador de energia e em um determinado ano, houveram muitas falhas na rede elétrica, porém, em todas essas etapas o proprietário estava presente, ligando incansavelmente para a empresa responsável pela resolução do problema, ajudando, permanecendo junto aos colaboradores até o final da ordenha que iniciou e terminou com atraso, providenciando jantar (preocupado com a dona de casa que ficou até mais tarde na ordenha e ainda teria obrigações em casa), explicando para os colaboradores que haviam muitos compromissos mas que a compra de um gerador passaria a ser prioridade. Na mesma região, uma propriedade, com o mesmo problema elétrico, porém possuía gerador, que não funcionou, e o líder só apareceu no outro dia, sem se interar do problema corretamente, apenas criticando seus colaboradores por não possuírem a capacidade de funcionar o aparelho e ainda culpá-los pela menor produção de leite dos animais (o fato é que o gerador tinha um “macete” para ser ligado, que poderia muito bem ter sido apontado na contratação, mas não foi).



CARGA E DESCARGA DE INSUMOS

Muitos desajustes ocorrem pela falta de explicação e organização desta norma. Responda as perguntas antes de entrevistar seu próximo colaborador.

- Há descarga de sacaria pelos colaboradores ou este serviço é terceirizado (“chapas”)?

- Pode ocorrer chegada de insumos em finais de semana, folgas, dias de visita veterinária, etc?

- Existe pagamento adicional por tais serviços?

- Com que frequência ocorrem as descargas?

- Mesmo o serviço de descarga sendo terceirizado, alguém deve acompanhar, definir local da descarga e conferir estoque?

Novamente sugiro que utilize de tempo neste aspecto. Conflitos ocorrem com frequência pela falta de organização desta norma nas fazendas. Estrutura, mecanização, logística são muito importantes, mas precisam ser entendidas. Reforço, que não necessariamente a fazenda mais tecnológica possui maiores êxitos neste sentido, conheço depósitos de insumos com baixo pé direito somado a não possibilidade de manobrar caminhão próximo ao local (com descarga de sacaria dificultada, por exemplo), mas que no ato da contratação o colaborador envolvido conheceu o local, toda a dificuldade da operação foi explicada, desde o inicio ficou claro que não haveria pagamento adicional por aquele trabalho (pois já estava incluso no salário combinado), a fazenda se comprometeu a não coincidir chegada desses insumos em dias mais tumultuados nem em  finais de semana, assim o resultado, com ambas partes cumprindo o combinado, foi organização com baixo desperdício e insatisfação. Um exemplo, muito interessante, vivenciado em uma propriedade muito estruturada, com um enorme galpão onde não há necessidade de sacaria (os insumos chegam e são destinados aos animais pela mecanização das máquinas), com caminhão próprio para transporte da matéria prima não produzida na fazenda, certa vez, em excelente oportunidade de preço, foi adquirido produto ensacado (que chegou na fazenda em um domingo) e o colaborador responsável sem orientação nem comprometimento com o negócio, despejou todos os sacos no centro do barracão comprometendo toda a logística. Perceba, nesta situação, a não inclusão do item imprevisto, durante a contratação, ou seja, é preciso estar claro para ambas partes, que inadequações sem programação podem ocorrer e precisam ser gerenciadas e comunicadas.

 

ORGANIZAÇÃO

Essa norma é muito importante. Instituições organizadas possuem mais credibilidade, mais controle, menos fraudes e desperdício, mais satisfação, dentre muitos outros benefícios. A organização de uma fazenda começa a aparecer para um colaborador desde o dia de sua entrevista para o cargo. A grande dificuldade deste tema é que organização é algo subjetivo, ou seja, talvez algo aos meus olhos esteja organizado, porém, ao seus olhos, esteja longe disso. Repare a imagem anexa (FOTO ALMOXARIFADO FAZENDA JOINHA - TUPACIGUARA/MG):

A intenção, mais uma vez, é fortalecer a não necessariedade da maior estrutura nem do maior investimento, para ser o melhor exemplo. Todo o material utilizado na organização deste setor foi arrecadado na própria fazenda (embalagens de iodo e óleo, pedaços de canos, a própria caneta de escrever em brincos de identificação animal). Aqui não há compra de material desnecessário, não há perda de tempo procurando material, facilmente se confere o estoque para que não haja falta de peças e as ferramentas de trabalho estão sempre no local devido. Agora aproveito a imagem para exemplificar o quanto organização é algo subjetivo, perceba pela foto que o padrão para se organizar as peças nesta propriedade, considera importante separar as emendas em um setor e os registros em outro. Um colaborador, recém contratado, porém mal contratado, pois a ele não foi dito o padrão de organização, pode entender que todo o material de encanação poderia ficar junto e assim o fazer.

Muitas vezes ouvi queixas de líderes (proprietários, gerentes, encarregados, etc...), dizendo: “meu pessoal é desorganizado”, “a desorganização em minha fazenda implica em muito desperdício”, “já comprei a mesma ferramenta 5 vezes em um ano pois ela nunca está alocada onde precisamos”. Ao investigar o modelo de contratação destes líderes, ás vezes  resgato o que foi dito durante a contratação simplesmente assim: “olha, aqui em casa gosto das coisas organizadas, ok?”. Ao investigar os colaboradores percebo que nada ou muito pouco foi dito, percebo a falta de normas bem conversadas e direcionadas. Algumas falas de colaboradores já ouvidas neste sentido: “aquela enxada, foi eu quem coloquei cabo, mantenho ela escondida sobre o pé de manga por que se não ela desaparece”, “quando cheguei aqui a porta da minha casa tinha muito mato, hoje está limpa e tenho minha horta produzindo”.

Venho acumulando ao longo do tempo, em minhas anotações, situações vividas por mim ou por clientes, com o intuito de auxiliar em contratações. A lista é extensa, tem ajudado a percebermos que parte da insatisfação com as pessoas nos negócios podem estar ligadas a falhas de nós mesmo (líderes) e não tão somente dos colaboradores. Não é foco deste artigo exemplificar todas elas, mas sim, permitir que você pense sobre quais são as suas normas e o que tem feito de correto para que elas ocorram.

Listarei brevemente mais algumas sugestões de normas internas para reflexão: férias (quando? quantos dias? Como ficam as obrigações quando alguém sai de férias?), folgas (quando? quantos dias? Como ficam as obrigações quando alguém sai de folga?), adiantamento de salário (pode ser feito ou não? Qual a percentagem do valor total?), animais domésticos (é permitida criação de cachorro? É permitida criação de galinhas? Podem ficar soltos por toda a propriedade?), bebida alcoólica (pode-se consumir apenas dentro de casa? não pode ser consumida?), visitas de parentes (é permitida? Em qual horário? Somente podem ficar na casa do colaborador?), crianças (por quais partes da fazenda podem transitar?), assistência técnica (com que frequência vem a fazenda? O que há de diferente nestes dias? quem deve acompanhá-los?), reuniões (são realizadas? Com que frequência? Onde? Quem participa?), controle leiteiro e coleta de leite para análises (são realizados? Com que frequência? Quem é responsável?), aplicação de vacinas e hormônios (quem faz? Quando? Com que frequência? Como?), sanidade dos cascos dos animais (quem o faz? Quando?), pulverização dos animais contra carrapatos (possui alergia a algum produto? Com que frequência é realizado? Com qual equipamento?) inseminação artificial (quem o faz? Quem observa cio? Quando? IATF?), reforma de casas (há previsão de reformas? Exige compromisso de conservação?), alteração salarial (há previsão de aumento frente há produtividade? Há possibilidade de mudança de cargo? Quando?), épocas de plantio e confecção de silagem (algo muda na rotina?), retirada de lixo (quem faz? Quando? Onde deposita?).

Já vivemos bons exemplos de resultados positivos e negativos em todos esses aspectos. A falta de preparo e gerenciamento por parte dos líderes surte negativamente nos trabalhadores de toda uma região. Saiu de nós e do nosso vizinho a permissão para que colaboradores continuassem em nossos negócios sendo desorganizados, descompromissados e exigentes injustamente. A nossa vulnerabilidade, que faz com que a cada dia, ao invés de nós entrevistarmos os candidatos são eles quem nos entrevistam.

Liste os pontos fortes de sua propriedade, você precisa muito deles. Caso não os tenha, se preocupe, sua fazenda precisa ser atrativa, o setor mudou. Enquanto os salários mais altos somado as baixas exigências de excelência no trabalho existirem, substituindo ineficiências de operação da empresa rural, nunca teremos uma classe de colaboradores diferenciados e duradouros. Deixe seus pontos frágeis explícitos e administráveis, converse sobre eles, mostre compromisso com tais mudanças, honre o combinado.

Os jargões populares citados no inicio do artigo existem a bastante tempo, repeti-los somente os fortalecem. Trabalhe eles, mude-os. As pessoas tem sido a solução de muitas empresas que decidiram agir, sobressaindo ao melhor maquinário e a melhor tecnologia. Por muito tempo admirei o líder de propriedades de produção de leite, cuja memória guardava o touro pai de todas as suas bezerras bem como suas características. Atualmente admiro e vejo maior potencial no líder que expandiu sua memória a gravar tudo isso, somado ao nome dos filhos de seus funcionários, suas histórias de vida, seus aniversários! As fazendas assistidas por nós, com maiores rentabilidades, têm em comum, líderes presentes, dando bons exemplos e cobrando resultados.

O maior valor de uma empresa são as pessoas!

Rafael Borges e Alves
Médico Veterinário - Cifra Leite Consultoria