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Medidas ambientais proporcionam conforto ao rebanho em altas temperaturas

Medidas ambientais proporcionam conforto ao rebanho em altas temperaturas

Em Conceição das Alagoas (MG) está localizada a Fazenda Prata de Baixo, que há seis meses tem sido um espaço de implantação de práticas  ambientais para a redução do estresse calórico do rebanho. Associados à Cooperativa dos Produtores Rurais do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (COTRIA L), os produtores Antônio de Bessa Primo e Antônio Carlos de Bessa Filho, pai e filho, cobriram a sala de espera da ordenha e adquiriram
sombrites e cochos móveis.

Segundo Sandra Gesteira Coelho, professora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, os bovinos são homeotermos,
ou seja, são capazes de manter constante a temperatura corporal. A manutenção desta temperatura é obtida pelo equilíbrio entre a quantidade de calor produzida metabolicamente e as trocas com o ambiente (ganhos e perdas de calor). “O desequilíbrio na homeotermia, devido a uma combinação de temperatura e umidade alta, ou à circulação do ar e radiação solar pode provocar o que é chamado de estresse calórico ou térmico”, explica.

Entre os principais efeitos do estresse calórico nos animais estão: desequilíbrio hormonal, déficit nutricional, aumento da ingestão de água, redução
na atividade física, problemas reprodutivos, redução do crescimento de animais jovens com mudança na composição corporal (menor deposição de
proteína para formação de músculos e ossos, e aumento da deposição de gordura corporal), queda na produção e nos sólidos do leite, aumento nas taxas de retenção de placenta e de outras doenças como metrite e mastite.

De acordo com Sandra Gesteira Coelho, o estresse térmico pode afetar a qualidade do leite e a queda nos teores de gordura, que pode ser explicada
pela redução do consumo de alimentos volumosos. O animal reduz o consumo de forragem na tentativa de diminuir o calor corporal gerado pela  fermentação nos alimentos fibrosos no rúmen. “Com isso, diminui a produção de acetato e butirato que são precursores da gordura do leite. O consumo  de alimento concentrado aumenta, contribuindo para mudar a produção de ácidos graxos no rúmen e fazendo com que o pH do fluido  ruminal sofra variações que também vão proporcionar o aumento de outros elementos que têm o efeito de inibir a síntese de gordura na glândula mamária”, detalha.

A expressão do cio também é modificada em função do desequilíbrio na homeotermia. O tempo em que o animal fica no cio e o número de montas reduzem. As vacas que são inseminadas em dias de estresse térmico têm grande chance de ter perda embrionária porque os embriões terão redução na taxa de desenvolvimento, comprometendo a capacidade de enviar um sinal ao útero para a manutenção da gestação.

Na Fazenda Prata de Baixo foi observada alta taxa de morte embrionária e mudanças no comportamento dos animais, que ficavam mais agitados na  espera da ordenha. Além disso, em decorrência do acúmulo de barro no período das águas foram registrados casos de mastite ambiental. Para  colocar fim a esses problemas, os produtores, que são assistidos pelo Projeto Educampo/Itambé, foram orientados pelo técnico Paulo Rafael Amaral  a adotar práticas ambientais para melhorar o conforto e o bem estar do rebanho.

“A propriedade está localizada em uma região de alta umidade e temperatura, o que propicia o efeito do estresse térmico. Para oferecer melhores condições aos animais, foi modificado o ambiente de trato das vacas no inverno com a adoção da tecnologia de cochos móveis, aproveitando os  pastos arborizados e reduzindo os dejetos nas áreas de convivência. No verão, os animais passaram a receber o concentrado na ordenha,  possibilitando que as vacas cheguem mais rápido ao pasto e não deitem após o processo. Os produtores também adquiriram dois sombrites móveis,  com o intuito de manter o ambiente limpo e seco onde as vacas deitam. A sala de espera foi coberta proporcionando maior conforto antes da  ordenha, já que normalmente a temperatura corporal aumenta cerca de um grau quando os animais se juntam na sala de espera”, conta o técnico.

A produção diária na propriedade é de 1600 litros de leite, com 95 vacas em lactação. Dois funcionários trabalham junto com os produtores na condução da atividade. O investimento na aquisição de cada um dos dois sombrites móveis foi de R$ 16 mil. Os sombrites fornecem 180 m² de  sombra, com capacidade para comportar de 60 a 70 vacas na área de cobertura. Para os produtores, o retorno obtido com a tecnologia foi positivo. “Tivemos melhorias em vários aspectos. O intervalo entre partos reduziu em 1,5 meses e a CCS caiu de 500 mil cél/mL para valores abaixo de 250 mil cél/mL”, conta Antônio Carlos de Bessa Filho.

Com a adoção de medidas para amenizar as altas temperaturas, os produtores conseguiram também modificar o quadro de mastite ambiental, encontrada principalmente em rebanhos que se instalam em locais onde há acúmulo de esterco, urina, barro e camas orgânicas. “Com esse sistema do sombrite móvel, eles conseguiram oferecer conforto animal e evitar o barro. Além de manejar a sombra, é possível obter uma distribuição mais uniforme do esterco e facilitar o crescimento da forragem”, contextualiza a técnica de captação da CCPR/Itambé na região Juliana Roquette.

Entre as práticas recomendadas para a oferta de boas condições ambientais podem ser incluídas a interceptação da radiação solar, a partir da  utilização de estruturas que ofereçam sombras, e o aumento do resfriamento evaporativo direto, por meio de aspersores e ventiladores que também  proporcionam o resfriamento evaporativo indireto por resfriamento do ar, reduzindo a carga de calor que chega ao animal.

“É preciso lembrar que os animais precisam de espaço de sombra para que possam deitar e descansar. A sombra no curral de espera reduz a carga térmica que recebem principalmente na ordenha da tarde. O sombreamento deve ser democrático, para todos os animais e não apenas para as  vacas ‘dominadoras’”, pondera a professora Sandra Gesteira Coelho.

O próximo passo a ser dado na Fazenda Prata de Baixo será o resfriamento das vacas antes da ordenha, com um sistema de ventilação de sete  quilômetros por hora e aspersão com bicos próprios, que molham diretamente os animais. “As medidas que adotamos foram muito boas para o  nosso rebanho e queremos melhorar ainda mais. As vacas ficaram mais calmas na sala de espera da ordenha e estão comendo melhor. Administrar a  propriedade com o apoio do meu filho faz com que a gente compartilhe e colha os resultados juntos. Estamos muito satisfeitos”, conclui o produtor  Antônio de Bessa Primo.

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