Encontre no site:

(34) 3292-9962

contato@cifraleite.com.br

O impacto do custo nutricional no custo de produção.

O impacto do custo nutricional no custo de produção.

A proposta de valor da Cifra Leite é: gerar resultado econômico aos produtores e parceiros, através do desenvolvimento dos gestores no campo com o compromisso maduro com as orientações técnicas transmitidas. Partindo desse pressuposto a tomada de decisão é sempre baseada no retorno econômico, afinal todos nós somos apaixonados por vacas mais vivemos mesmo é de dinheiro.

Com o constante aumento, nos itens que compõe o custo de produção precisamos ser mais eficientes, dia a dia. Nos últimos anos temos um acentuado aumento nos custos e diferente dessa acentuada elevação, o preço do leite não acompanhou na mesma intensidade. Ou seja  “ custo é igual unha, sempre é preciso cortar ”. Não que a solução seja cortar em tudo, muitas vezes erramos neste sentido, os produtores cortam onde não devem, e ao invés de melhorar, o negócio piora. A gestão econômica auxilia justamente aí, saber onde cortar é o pulo do gato.

Em uma fazenda de leite, a nutrição representa o maior item no custo operacional. Metade das despesas mensais está na nutrição. Sobrou metade da receita para pagarmos todos os outros custos (mão de obra, energia, hormônios, produtos de ordenha, medicamentos, etc.) e ainda colocar dinheiro no bolso, afinal a atividade não pode parar. Costumo dizer que sobrou muita conta para pouca receita.

A grande vantagem da localização do triângulo mineiro, tem amenizado, mas não resolvido a agressividade no mercado de insumos.  Nem a localização favorecida tem possibilitado o uso dos subprodutos aqui produzidos. O preço não tem feito jus ao nome, atualmente muito deles é mais caro que o produto principal.

                Com tamanha importância. Produzir forragem de qualidade, atualmente se tornou uma obrigação. O bom aproveitamento da forragem vai, além. Não podemos somente produzir, temos que conservar, manejar e utilizar de forma adequada. Gerir a confecção e o manejo diário é fundamental.

                Visto todos esses fatores de relevância o que podemos fazer na prática para sermos mais eficientes na utilização da forragem.

  • Ponto de ensilagem;
  • Processamento da fibra e do grão;
  • Utilização

A literatura atual nos diz que o ponto de ensilagem é entre 35 e 40% de Matéria Seca (MS), o que mudou bastante de uns anos pra cá, antes a recomendação era de 30 a 35% de MS. Essa mudança se deu pelo fato de aproveitarmos pouco o amido da silagem. Com a matéria seca mais alta já se encontra maior deposição de amido no grão. Assim a silagem irá conter maior teor de amido e consequentemente o gasto com milho na dieta será menor. Só para termos uma ideia, comparando duas silagens idênticas e apenas mudando o teor de amido de 24% para 30%, poderíamos reduzir 1,4 kg de milho moído de uma dieta para uma vaca de 28 kg. Lembrando que de nada adianta ensilarmos com matéria seca maior se não conseguimos processar o grão, a antiga ideia que se machucasse o grão já era suficiente para que ocorresse a fermentação já caiu por terra, precisamos quebrar o grão em pelo menos quatro partes. A silagem precisa ter milho moído.

                Com todo esse desafio de processamento de grão ainda precisamos ter um tamanho de partícula adequado. O tamanho de partícula que tem efetividade ruminal, ou seja, que faz com que a vaca rumine é superior a 8mm.  Então todo aquele processamento de grão falado acima precisa estar alinhado a um tamanho de partícula superior a 8mm. Trabalhamos em alguns casos com silagens sendo processadas de 18 a 20mm. Essa efetividade de fibra proporciona saúde ruminal, nunca podemos esquecer que a vaca ainda é um ruminante. Outra novidade que nos ajudou muito foi a tecnologia trazida para o Brasil através do 3RLab em análise bromatológica. Com a disponibilidade dessa tecnologia, vimos que nem todas as fibras são iguais. Pelo contrário, dentro da mesma forragem há uma diversidade enorme de digestibilidade. Encontramos silagem de milho com digestibilidade igual a de cana. A decisão de qual hibrido usar deve levar em conta a análise bromatológica do material.

                Agora sabendo da silagem a qual necessito, a pergunta que tenho que fazer é a seguinte:  os equipamentos que eu tenho me atendem¿ Essa pergunta é a principal para saber  o momento de entrar na lavoura. Muitos equipamentos não permitem a entrada tardia na lavoura. A lavoura de milho a partir de 30% de MS perde em torno de 1% de MS por dia, sendo um dia ensolarado. Tendo a autonomia da sua máquina e a perda de matéria seca, fica fácil de fazer a conta. Na minha opinião o que define a hora de ensilar é o potencial do maquinário disponível. Os produtores que trabalham com ensiladoura de apenas uma linha não podem se dar o luxo de começar a ensilar com 35% de MS. Para quem tem um potencial de corte menor, o momento para entrar é de 28 a 32% de MS. Nesse momento ainda conseguimos processar parte do milho e manter um tamanho de partícula razoável, aliado a menor deposição de lignina, possivelmente com melhor digestibilidade da fibra. Portanto, o ideal é cortar com automotriz, o foco principal em produzir lavoura de milho é o grão de milho.

UTILIZAÇÃO

Essa silagem não sai do silo e chega ao cocho sem interferência nenhuma. Vagões forrageiros, na grande maioria das vezes, durante o processo de retirada e mistura, reduzem o tamanho de partícula. Dessa maneira, o caminho é determinar o tamanho de partícula tendo em vista o tamanho da partícula no cocho. Muitas vezes o vagão acaba com o serviço da automotriz, do ponto de vista de fibra. Dedicamos a lavoura, investimos um bom dinheiro, dependemos de chuvas, ensilamos corretamente e na hora de usar o produto não podemos perder na qualidade, tudo é planejamento.

                O manejo de retirada é outro ponto que merece ser frisado, muitas propriedades tem um desperdício muito grande na retirada do material, após todo o processo feito na hora de retirar, desperdiçamos.

O gasto deve ser compatível com a retirada de um painel de pelo menos 20cm, assim o material exposto ao oxigênio é todo usado no mesmo dia. Evitar que máquinas batam com força no painel da silagem, provocando entrada de oxigênio em uma maior quantidade de silagem. Implementos de tratores com pás trazeiras ou dianteiras devem ser usadas com muita cautela.

                Há muito espaço para reduzirmos o custo de produção do leite. A forragem determina o custo nutricional, portanto, devemos fazer a nossa parte. Atenção ao processamento do grão, ao tamanho de partícula, compactação, vedação e manejo de fornecimento no cocho. Na mesma região, neste momento, temos produtores com custo nutricional por litro de leite de R$0,45 a R$0,90, a diferença pode ser o lucro.

Edison Arruda - Médico Veterinário Cifra Leite