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Projeto qualidade de leite fazenda Capim Grande.

Projeto qualidade de leite fazenda Capim Grande.

O projeto de qualidade de leite na fazenda Capim grande teve início em Dezembro 2015. O principal foco do projeto era a redução de CCS individual do rebanho, com o intuito de obter melhores resultados econômicos por bonificação, melhor saúde de úbere e menor custo com gasto de medicamentos relacionados ao tratamento de mastite clínica.

No início do projeto a CCS de tanque era acima de 600 mil (média ano), e a taxa de mastite clínica tinha média mensal de 20%. O primeiro passo na propriedade foi realizar um diagnóstico voltado para sanidade, e verificar quais eram os maiores problemas relacionados com a saúde de úbere e conseqüentemente CCS alta do rebanho. Diante disso alguns pontos negativos chamavam atenção como:

1)     Alimentação do rebanho após as ordenhas em cochos na entrada dos piquetes no período das águas.

2)     Áreas de descanso eram inadequadas, próximo aos cochos de alimentação, com grande acúmulo de barro e esterco.

3)    Não era realizada linha de ordenha.

4)    Não existia um protocolo de identificação e tratamento contra mastite clínica.

5)    Equipe não era treinada.

Após o diagnóstico inicial, realizamos uma cultura de tanque a qual ocorreu em nosso laboratório CifraLab, onde foi identificada presença de E. coli e com isso optamos por estruturar todos os procedimentos relacionados a manejo de ordenha e animais, implementação de novos conceitos técnicos à equipe, e posteriormente análise individual de CCS.

Como principais ações desenvolvidas em relação à gestão de pessoas e procedimentos operacionais de ordenha tivemos:

ü   Treinamento da equipe de ordenha com adequação dos procedimentos.

ü   Treinamento teórico dos funcionários explicando a função de cada procedimento para o entendimento do todo.

ü   Check list da máquina de ordenha resultando em melhoria em seu desempenho.

ü   Adequação dos tratamentos de mastite em relação à severidade de cada caso.

ü   Segregação dos animais em lotes pensando em saúde de úbere.

ü   Engajamento e motivação dos funcionários para alcançar os resultados.

 

Os casos de mastite na fazenda se comportam de maneira sazonal, ou seja, são influenciados pelo ambiente, onde no verão os índices aumentam e no inverno estes números diminuem. Por isso, para efeito de comparação de resultado vamos analisar como foi o verão do ano passado (2016) e como está sendo o verão deste ano (2017) pensando em qualidade de leite e casos de mastite clínica:

Em relação ao manejo, o primeiro passo foi optar mudar o local da alimentação onde foi implementado cochos dentro do curral, onde cada lote comia concentrado após a ordenha, em local seco e limpo (concretado), e após o arraçoamento o lote era conduzido diretamente para os piquetes, sem contato prévio com áreas de barro e acúmulo de esterco.

Em um segundo momento, introduzimos uma vacinação contra mastite clínica, a qual tinha acompanhamento trimestral de indicadores zootécnicos e econômicos, e a primeira análise individual de CCS iniciou-se em Fevereiro 2016

A redução dos índices de mastite subclínica do verão de 2016 para 2017 é grande! Esses resultados traduzem um aumento de saúde de úbere, redução da severidade dos casos de mastite clínica e aumento da taxa de cura espontânea no que diz respeito ao rebanho. Estes dados também trazem ganhos substanciais para o laticínio. Leite fornecido com menores índices de CCS e CBT proporciona mais rendimento da indústria, aumento de shelf life dos produtos na prateleira e, por conseguinte fornece matéria prima para produzir lácteos de melhor qualidade. Isso justifica o aumento da bonificação recebida pelo leite entregue ao laticínio.

 

Para o número de casos de mastite clínica em 2016 temos:

 Janeiro – número não mensurado

 Fevereiro – 11 casos

Em 2016 foram 28 casos de mastite (excluindo o mês de janeiro que não foi contabilizado por falta de anotação) sendo o mês de fevereiro o mês com maior número de casos.

Os ganhos gerais com a melhoria da qualidade de leite ao longo deste ano podem ser resumidos desta forma:

1)    Redução do número de casos de mastite clínica

2)    Redução da severidade dos casos de mastite clínica

3)    Redução do custo com tratamento para mastite clínica

4)    Redução do uso de antibióticos

5)    Aumento da saúde de úbere e aumento dos casos de cura espontânea

6)    Redução dos índices de CCS de tanque e redução da CCS individual

7)    Aumento da bonificação por qualidade que por conseqüência aumentou o valor agregado do leite

8)    Máquina de ordenha mais ajustada

9)    Redução do uso de ocitocina

10)Aumento do engajamento e comprometimento dos funcionários para alcance dos resultados.

               

No passado o tratamento de eleição para mastite clínica consistia em somente um tipo de tratamento, o qual tinha custo (incluindo leite descarte) de R$ 325,00 / tratamento. Com a implementação do projeto e correto diagnostico e tratamento de casos clínicos, o custo por animal tratado (sendo que cerca de 90% destes casos de mastite clínica foram diagnosticados com grau 1 de severidade) foi de R$ 31,80 (descarte zero), tendo 92% de taxa de cura contra 90% em relação aos tratamentos anteriores.

A partir dos ganhos em qualidade de leite foi possível receber mais pelo pagamento de qualidade, representando R$ 1.464,00 / mês. E se estendermos este número para o ano todo temos uma receita anual extra de R$ 17.568,00.

Durante todo o projeto foi investido R$ 5.700,00. Se considerarmos apenas os ganhos em bonificação por qualidade de leite recebido a mais por litro de leite temos um retorno de 3,08 vezes, ou seja, a cada 1 real investido no projeto tivemos um retorno de 3,08 reais, comprovando que o investimento em produção de leite com mais qualidade pode gerar retorno econômico. Este retorno financeiro é ainda maior, pois os ganhos com diminuição de uso de medicamentos, redução do uso de ocitocina e aumento de produção por melhor saúde de úbere ainda não foram mensurados.

A assessoria da empresa Cifra leite têm sempre um intuito principal, tornar as fazendas assistidas mais rentáveis, há muito espaço nas fazendas produtoras de leite em geral para reduzir o custo de produção. No caso deste artigo, o foco nesta propriedade foi trabalhar qualidade de leite, e a partir da evolução dos resultados, proporcionar retorno econômico ao produtor. A diferença quase sempre está em quem toma decisões, e quem as toma de maneira correta!

Marcos Melo Junior – Médico Veterinário